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Como Tirar 13 Pessoas Vivas de Uma Caverna Alagada na Tailândia🚨

3 de outubro de 2026 · Duração 8:34 · Assistir no YouTube

Dois de julho de dois mil e dezoito. Nono dia de busca. Um mergulhador britânico está debaixo d'água, dentro de uma caverna no norte da Tailândia, estendendo uma corda-guia através da escuridão total — quando a corda acaba.

Transcrição

Dois de julho de dois mil e dezoito. Nono dia de busca. Um mergulhador britânico está debaixo d'água, dentro de uma caverna no norte da Tailândia, estendendo uma corda-guia através da escuridão total — quando a corda acaba. Ele sobe até a superfície, dentro de uma bolsa de ar que ninguém sabia se existia. E ali, sentados numa saliência de terra, com a lanterna dele na cara, estão treze pessoas vivas: doze garotos de um time de futebol e o técnico deles, desaparecidos há nove dias. Quantos vocês são?, ele pergunta. Treze, responde um garoto, em inglês. Ótimo. Encontrá-los é só a metade do problema. Pra tirar esses treze de dentro da montanha, os socorristas vão ter que fazer uma coisa que soa loucura: dopar cada um deles, e arrastá-los, inconscientes, por quilômetros de água escura.

Vinte e três de junho de dois mil e dezoito. Doze garotos do time de futebol Wild Boars, de onze a dezesseis anos, entram na caverna Tham Luang, no norte da Tailândia, depois do treino — é tradição do grupo, uma exploração rápida antes de voltar pra casa. Com eles está o técnico auxiliar, Ekkapol Chantawong, de vinte e cinco anos, ex-monge budista. Ninguém espera chuva: a estação das monções só devia começar semanas depois. Mas naquela tarde chove fora de hora, e a água sobe rápido demais dentro da montanha — a caverna funciona como uma esponja de calcário, e a chuva dos dias anteriores já tinha deixado o nível alto. Quando os pais encontram as bicicletas do time abandonadas na entrada, ao anoitecer, ninguém consegue mais sair. No fim deste vídeo, você vai entender por que a única forma de salvar esses treze foi apagá-los antes de tirá-los de lá.

Sem conseguir voltar pela entrada alagada, o grupo recua pra dentro da caverna, subindo quase quatro quilômetros até um banco de terra seca conhecido como Pattaya Beach. Ali, no escuro absoluto, sem comida, os treze esperam. Ekkapol, o técnico, tinha sido monge antes de treinar futebol — e usa a meditação que aprendeu no monastério pra manter os garotos calmos, ensinando eles a respirar devagar e gastar o mínimo de energia possível. Ele dá parte da própria comida pros garotos mais novos. Dia um vira dia três, vira dia seis. Do lado de fora, ninguém sabe se ainda há alguém vivo lá dentro.

Do lado de fora, a operação cresce rápido: mais de dez mil pessoas, entre militares tailandeses, mais de cem mergulhadores de mais de dez países, e voluntários. Bombas tiram mais de um bilhão de litros de água da caverna — o equivalente a quatrocentas piscinas olímpicas. A cerca de um quilômetro e meio da entrada, os mergulhadores montam uma base avançada, a Câmara Três, o ponto mais fundo até onde dá pra chegar sem mergulhar o tempo todo — dali pra frente, é só água. Mas a parte mais dura do caminho segue submersa, com visibilidade zero: os mergulhadores avançam sentindo a rocha com as mãos, estendendo uma corda-guia atrás de si, sem saber se ela vai levar a alguém vivo. Um erro de rota ali dentro, num labirinto de passagens que nenhum mapa cobre por inteiro, pode custar a vida de quem procura. Dias se passam sem contato.

Dois de julho. Nono dia. Os mergulhadores britânicos John Volanthen e Rick Stanton avançam pela última passagem alagada, quase sem visibilidade — Volanthen sente o cheiro deles antes de ver ou ouvir qualquer coisa. A corda-guia acaba. Ele sobe. E ali estão os treze, magros mas vivos, numa saliência de terra a quase quatro quilômetros da entrada. Quantos vocês são? Treze. Ótimo. É a primeira boa notícia em nove dias — mas encontrar os treze não é o mesmo que tirá-los de lá. Entre eles e a saída ainda há quilômetros de túnel afogado, boa parte tão estreito que um adulto mal passa.

A primeira ideia foi ensinar cada garoto a mergulhar sozinho, com o próprio regulador na boca. A equipe testou, e descartou: nenhum deles tinha experiência, e mergulho de caverna é traiçoeiro até pra especialista — visibilidade zero, passagens de menos de quarenta centímetros, correnteza. O risco real não era afogar por falta de ar. Era entrar em pânico debaixo d'água, arrancar o próprio regulador sem querer, e afogar puxando junto o mergulhador que tentava salvá-lo. A solução, proposta pelo anestesista australiano Richard Harris, foi o oposto do intuitivo: sedar cada garoto até a inconsciência, com uma combinação de cetamina, um ansiolítico e atropina pra manter o coração estável. Inconsciente, cada um seria só peso morto — sem pânico, sem luta, sem risco de arrancar a própria máscara. Doses de reforço seriam aplicadas ao longo do caminho, a cada quarenta e cinco minutos a uma hora. Era, ao mesmo tempo, a opção mais arriscada e a mais segura: arriscada porque qualquer erro de dose podia matar; segura porque tirava do processo a única variável que ninguém conseguia controlar debaixo d'água — o medo.

Mas há um prazo que ninguém controla. A trégua das chuvas que permitiu bombear a caverna é rara nessa época do ano, e a previsão aponta monção forte voltando em poucos dias — o bastante pra afogar o sistema inteiro outra vez, por meses. Ensinar treze pessoas a sobreviver ali dentro até a próxima estação seca não é opção: não há comida, e a saúde deles já está no limite. Esperar não é mais seguro que agir — é só adiar o mesmo risco pra depois de a janela de bom tempo se fechar. A decisão está tomada: mesmo sem garantia nenhuma de que o plano funcione, a extração começa antes que a chuva decida por todo mundo.

Oito de julho — décimo quinto dia de provação —, a extração começa. Cada garoto sedado recebe uma máscara facial de pressão positiva e um cilindro de oxigênio, e é guiado por dois mergulhadores ao longo de três horas de caverna, boa parte submersa. Na parte seca, uma corrente de socorristas passa cada um adiante, numa maca de resgate, por trechos de lama e pedra. Quatro saem no primeiro dia. Dois dias antes, na madrugada de seis de julho, o ex-fuzileiro naval tailandês Saman Kunan, trinta e sete anos, voluntário na operação, perde a consciência debaixo d'água na volta de uma entrega de cilindros de oxigênio — e não consegue mais respirar. É a única morte de toda a operação, e o lembrete, pro resto da equipe, do que está em jogo em cada mergulho que ainda falta fazer.

Nove de julho: mais quatro saem. Dez de julho — décimo oitavo dia desde que o grupo entrou na caverna —, os últimos quatro garotos e o técnico Ekkapol são os últimos a sair, junto com os mergulhadores que ficaram com eles até o fim. Treze pessoas entraram sedadas, inconscientes, boa parte do caminho debaixo d'água — e as treze saem vivas. Nenhuma delas tem lesão grave: perderam em média dois quilos cada, e passam a semana seguinte em quarentena no hospital, por causa do risco de infecção da água parada. Nos primeiros dias, os pais só conseguem ver os próprios filhos através do vidro de uma janela, até os exames de sangue confirmarem que não há infecção nenhuma — só depois disso, com avental e máscara, eles finalmente conseguem abraçar de novo.

Três dos garotos e o técnico Ekkapol eram apátridas — sem cidadania reconhecida, comum entre famílias de etnias das montanhas do norte da Tailândia. Três meses depois do resgate, o governo tailandês concede cidadania a todos os quatro. O time inteiro é convidado pra final da Copa do Mundo daquele ano, mas assiste pela televisão, ainda hospitalizado. Saman Kunan é, meses depois, promovido postumamente sete postos de uma vez — e uma estátua dele, cercado por treze javalis, fica na entrada da caverna. Se essa história te prendeu, se inscreve — no próximo vídeo: uma mulher passa quarenta e um dias sozinha no Pacífico depois que um furacão mata o noivo dela e destrói a eletrônica do barco — e ela precisa reaprender a navegar sem nenhum instrumento.